Olá, e sejam bem-vindos. Sou Maria Amélia Soares. Nasci e cresci à sombra da serra de Sintra, onde o nevoeiro rega o jardim antes de eu acordar e as hortênsias crescem quase sem pedir licença. Foi nesse microclima caprichoso que aprendi o essencial: o jardim não se manda, acompanha-se. Este site é a minha maneira de continuar a transmitir o que aprendi, a partir do caderno de notas que nunca me larga.
A serra, antes do abecedário
A minha avó Glória tinha um quintal pendurado na encosta, com camélias mais velhas do que a casa e um tanque de pedra onde se decidiam as coisas importantes. Em miúda, a minha tarefa era apanhar caracóis depois da chuva e aprender sem dar por isso. Ela não dava lições; punha-me o regador na mão e o exemplo à frente.
Mais tarde percebi que aquele quintal era uma escola rara. Em Sintra convivem plantas de meio mundo — fetos que parecem vindos de outra era, hortênsias que mudam de cor conforme a terra, camélias que já floriam para os reis. Aprender a jardinar aqui é aprender a ouvir o tempo: o nevoeiro, a maresia, o granito debaixo dos pés.
Mais de quarenta anos de mãos na terra
Toda a vida cultivei o jardim da família: as hortênsias que fazem a cerca azul em julho, a horta pequena que o nevoeiro teima em regar por mim, os vasos de ervas no parapeito da cozinha. Nunca fui profissional de viveiro; fui vizinha, filha e neta de quem sabia, e fui apontando tudo num caderno que já vai na terceira capa.
O nevoeiro, o meu jardineiro mais fiel
Quem visita Sintra estranha a névoa; eu agradeço-lha. Rega devagar, refresca as camélias e mantém os fetos com aquele verde que não se compra em loja nenhuma. Aprendi a trabalhar com ela em vez de lutar contra ela — a escolher plantas que gostam de humidade e a reservar para o sol das clareiras as que não passam sem ele.
Se há uma filosofia neste jardim, é a paciência. Cada planta tem o seu ritmo e o jardim ensina-nos a esperar: a hortênsia só mostra a cor que a terra lhe dá, e o feto só se desenrola quando está pronto. Connosco, garanto-vos, é igual.
Os meus pequenos prazeres
De manhã cedo dou a volta ao jardim com a chávena de chá na mão, antes de o nevoeiro levantar. Conto os botões das camélias como quem conta poupanças, converso com as vizinhas por cima do muro e, à tarde, escrevo no caderno o que a terra me disse. São rotinas pequenas, mas é delas que se faz um jardim — e uma vida.
O que vão encontrar aqui
Vão encontrar aqui guias práticos para o jardim cá de fora — hortênsias, camélias, horta e canteiros — e para as plantas que vivem dentro de casa, dos vasos e da rega às suculentas e às ervas aromáticas. Tudo provado no meu jardim de Sintra, explicado sem pressa e sem palavras caras.
Se as minhas palavras vos acompanharem um pouco no vosso próprio jardim, dou-me por contente. E se quiserem escrever-me umas linhas, encontram tudo o que é preciso na página de contacto. Fico à vossa espera.
— Maria Amélia, desde Sintra